A nova era das cowgirls!
O look country feminino sempre foi mais do que uma escolha estética — ele carrega valores, histórias e um estilo de vida que atravessa gerações. De repente, esse universo que sempre fez parte da minha história voltou com força aos holofotes: o apreço pelas raízes, a conexão com o campo, a liberdade e o propósito por trás da vida rural. Em meio a esse retorno, ficou claro que o country vive hoje um novo momento, não apenas como moda, mas como movimento cultural, forma de expressão e até de empreender. É nesse cruzamento entre passado e presente que o look country feminino se reafirma, unindo tradição, identidade e uma nova maneira de viver e se vestir.
O começo de tudo: o cowboy como mito, cultura e estilo de vida
Falar do look country vai muito além de botas, chapéu e franjas. É voltar lá atrás, quando a roupa era feita pra aguentar a vida dura do campo — e não pra virar tendência no Instagram. O universo western nasceu no meio das regiões rurais dos EUA, onde os cowboys tocavam rebanho, encaravam sol quente, chuva inesperada e dias longos. O guarda-roupa deles era simples: forte, funcional e feito pra sobreviver. Nada ali era moda — era pura necessidade. E talvez seja exatamente isso que torna o estilo tão fascinante hoje.

As botas eram pra montar, o chapéu pra proteger, as camisas grossas pra aguentar o tranco. Com o tempo, esse cowboy deixou de ser só trabalhador rural e virou símbolo cultural. Hollywood entendeu o potencial e transformou essa figura no mito que a gente conhece: o herói silencioso, forte, livre, meio rebelde, sempre pronto pra encarar qualquer desafio.
Daí nasceu toda essa estética que a gente reconhece de longe: couro, jeans, xadrez, bota de bico fino, fivela grandona, jaquetas resistentes e muitas franjas. Só que o estilo western nunca foi só roupa — é atitude, pertencimento e principalmente conexão e respeito pela natureza e por cavalos. É essa mistura de liberdade, estrada, campo e força que continua mexendo com o nosso imaginário até hoje.
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A música country e suas raízes: da tradição ao mainstream global
A música country nasceu como um desdobramento dessa vida rural. Suas raízes estão fincadas no folk europeu, nas tradições dos imigrantes irlandeses, nos blues afro-americanos e em melodias simples que contavam histórias reais — dor, amor, perda, saudade, estrada, fé e trabalho. Era música para acompanhar o ritmo da vida. Instrumentos como violão, banjo, fiddle e gaita formaram a base de um estilo que atravessou gerações.

Com o tempo, ícones como Dolly Parton, Johnny Cash, Willie Nelson e Hank Williams transformaram o country em movimento cultural. Depois vieram artistas como Shania Twain e Garth Brooks, que levaram o estilo ao pop e conquistaram uma audiência global. Hoje, nomes como Morgan Wallen, Lainey Wilson, Luke Combs e Zach Bryan renovam o gênero e o mantêm vivo — atual, emocional e extremamente influente.
Mas o impacto mais impressionante do country ainda estava por vir: sua chegada ao Brasil, onde ganharia uma nova identidade e se tornaria um dos gêneros musicais mais populares do país.
A chegada ao brasil: sertanejo, raízes caipiras e um país que abraça a vida rural
No Brasil, o universo country encontrou terreno fértil. Aqui, a vida rural sempre teve força, identidade e profundidade cultural. Os boiadeiros, os vaqueiros, as comitivas e todos aqueles que vivem do campo trouxeram histórias parecidas com as narradas pelo country americano. Foi dessa fusão entre a cultura brasileira e a estética rural internacional que nasceu o sertanejo.

Primeiro vieram as famosas modas de viola, cheias de histórias de amor, saudade e aquela vida simples do interior. Aí chegaram os anos 90 e mudaram o jogo: era a era do sertanejo romântico, com duetos que marcaram o Brasil. Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó… tudo embalado por arranjos cheios de violão, guitarra e aquela batida que virou a trilha sonora de muitas famílias brasileiras.
Depois veio o sertanejo universitário, nascido nas mesas de bar lotadas de jovens com violão na mão. Ele trouxe uma vibe leve, divertida e mega comercial — e, do nada, virou febre no país inteiro.
A cultura dos rodeios: tradição, identidade e a transformação em mega espetáculos
Quando falamos do country no Brasil, é impossível não lembrar do coração dessa cultura: o rodeio. As competições desembarcaram por aqui nos anos 1950 e, em pouco tempo, viraram febre no interior. Montaria em touro, prova dos três tambores, laço, cavalgadas… tudo passou a fazer parte do calendário das cidades, quase como um feriado extraoficial que todo mundo espera o ano inteiro.
E tem um ponto importante: o rodeio é um esporte. E esporte tem esse poder de conectar pessoas, unir comunidades e manter tradições vivas — aquelas que nunca desaparecem de verdade, só ficam quietinhas até voltarem pro topo de novo.
Com o tempo, o rodeio cresceu tanto que deixou de ser apenas competição e virou um megaevento. Hoje, ele mistura música, moda, gastronomia, turismo e até tecnologia. As arenas são enormes, os palcos parecem os de grandes festivais internacionais, tem transmissão ao vivo pra todo lado e uma estética própria que combina tradição, coragem e espetáculo. É cultura viva — e o mais interessante: se reinventa o tempo todo.

A nova era dos rodeios
Nos últimos dez anos, os rodeios passaram por uma modernização profunda. As arenas se transformaram em verdadeiros festivais de música. O público cresceu e se diversificou. A estética western tomou conta do Instagram e atraiu novos espectadores interessados mais no lifestyle do que na competição em si. O resultado é que os rodeios se tornaram eventos que unem cultura tradicional com entretenimento contemporâneo. Uma mistura irresistível, capaz de conquistar tanto famílias inteiras quanto jovens urbanos que nunca pisaram em uma fazenda.
Barretos: o epicentro do country brasileiro
A Festa do Peão de Barretos é, sem dúvida, o maior símbolo dessa cultura no Brasil. Barretos virou uma espécie de Coachella country, atraindo multidões de todo o país e até do exterior se tornando o maior rodeio do mundo. A cidade se transforma em um universo paralelo durante o evento: shows gigantescos, competições intensas, camarotes luxuosos, influenciadores, celebridades, marcas e um público que se veste exatamente como quer. Ali, o country deixa de ser apenas um estilo musical e se torna uma forma de se expressar, de se divertir e de pertencer – inclusive nos looks country feminino. Barretos é tradição, espetáculo, adrenalina, história e, acima de tudo, comunidade.

A tradição da corte nos rodeios: rainhas, princesas e a força simbólica do brilho na arena
A história e o significado da corte rainha do rodeio
Tem um detalhe dentro da cultura do rodeio que muita gente de fora nem percebe, mas que pra quem vive esse universo é quase tão importante quanto a montaria, a arena e até a música: a corte do rodeio. Rainhas, princesas e madrinhas não estão ali só pra enfeitar — elas são parte fundamental da identidade da festa. Representam a comunidade, a tradição, a força feminina e aquele sentimento de pertencimento que mantém o rodeio vivo há décadas.

A corte do rodeio não surgiu do nada. Essa tradição veio lá das festas rurais dos Estados Unidos e do México, onde as mulheres da comunidade desfilavam pra abrir os eventos e celebrar a cultura local. Quando o rodeio ganhou força aqui no Brasil — principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste. Em Barretos, por exemplo, a coroação da rainha é quase tão esperada quanto o line-up dos grandes shows. Em várias cidades do interior, a escolha da corte marca o início oficial da temporada. Junta torcida, família, competidores, fãs… é praticamente um evento dentro do evento.
E por que isso importa tanto? Porque a corte é tipo a embaixadora do rodeio. Elas representam a cultura, a tradição, a beleza regional e principalmente a força das mulheres que movimentam esse universo. São elas que conectam passado e presente, dão cara pra festa e carregam com orgulho as raízes sertanejas que moldam o interior do Brasil.
Os trajes da rainha do rodeio: brilho, couro, franjas e tradição — a moda que molda a arena
E se existe algo que faz os olhos brilharem no espetáculo da corte, é o figurino. O look country feminino da corte do rodeio é um evento à parte — uma mistura de glamour sertanejo, artesanato brasileiro, referências do western dos EUA e aquele toque maximalista que só quem vive esse universo entende.

Os trajes das rainhas, princesas e madrinhas de rodeio são produzidos artesanalmente, muitas vezes por costureiras especializadas que dominam técnicas exclusivas como a @jnytrajescountry. Nada é básico: tudo é pensado para brilhar sob os holofotes da arena. Couro trabalhado, strass aplicados à mão, bordados metalizados, recortes a laser, franjas longas que se movimentam com o corpo, chapéus personalizados, fivelas imponentes, botas especiais, tons terrosos misturados a dourado e prata — o look country feminino da rainha é uma obra de arte funcional.
Mas, por que o country voltou com tanta força?
O retorno do look country feminino não é coincidência. Ele está profundamente ligado ao momento cultural que vivemos. Depois de anos de hiperconectividade, caos urbano e moda extremamente acelerada, surge um desejo coletivo por identidade, raiz, natureza, simplicidade, calmaria e tradição. O western oferece exatamente isso: uma estética com alma. Uma roupa que conta história. Uma vibe que parece trazer conforto emocional. É uma moda que não grita, que não implora aprovação — que simplesmente existe, forte, firme, familiar.
No fundo, o estilo country não se limita a roupas. Ele é narrativa, mitologia, símbolo, nostalgia. E por isso, quando volta, volta gigante!
A influência das celebridades: quando o country vira pop
Um dos principais motores desse retorno é a adesão das celebridades ao estilo western. Beyoncé lançou “Cowboy Carter”, um álbum que mergulha na história do country e resgata a presença negra nas origens do gênero. Além do impacto musical, o álbum trouxe uma estética visual arrebatadora: chapéus com muito brilho, couro metalizado, franjas futuristas, botas estonteantes e peças que misturam western com futurismo. Beyoncé transformou o look country feminino em manifesto.
Bella Hadid, por outro lado, representa o country raiz moderno. Vivendo no Texas, montando cavalos e abraçando o estilo com autenticidade, ela influenciou milhões de jovens a adotar botas, coletes western, cintos de fivela e jeitos mais despojados de incorporar o estilo.

Post Malone aproximou ainda mais o country do universo pop. Além de colaborar com artistas do gênero, adotou a estética western em turnês, videoclipes e eventos. O impacto foi imediato: a estética cowboy se tornou cool, jovem e contemporânea.
Artistas como Miley Cyrus, Dua Lipa, Kacey Musgraves e Lil Nas X reforçaram essa tendência, cada um de um jeito único. Kacey trouxe o country psicodélico glam. Miley incorporou o western rock. Lil Nas X fez do cowboy futurista um fenômeno global. E tudo isso ajudou a solidificar o movimento: o look country feminino é a estética do momento.
O retorno do country às passarelas
A estética western retornou às passarelas com força e elegância. Marcas como Louis Vuitton, Isabel Marant, Dsquared, Chloé, Acne Studios, Diesel e até grandes nomes do streetwear reinterpretaram elementos clássicos do estilo. O resultado foi uma mistura entre tradição e modernidade: franjas longas e sofisticadas, couro desgastado ou polido, botas de bico fino com salto escultural, jeans rústico, cintos com fivelas imensas, estampas western modernizadas e casacos com recortes inspirados em selaria.

As passarelas deixaram claro que o look country feminino não voltou como fantasia. Ele voltou como tendência sofisticada. Como uma forma de vestir personalidade. E, ao contrário de modismos passageiros, sua raiz cultural faz com que o estilo não seja apenas visual — ele carrega significado.
Western nas ruas: como o estilo se tornou parte do dia a dia
O mais fascinante é que o o look country feminino deixou de ser exclusivo de rodeios e festivais. Ele entrou no guarda-roupa cotidiano. Botas western combinam com jeans retos, saias, vestidos fluidos e até alfaiataria. Franjas aparecem em jaquetas, bolsas e vestidos de festa. O couro caramelo virou cor-curinga. O jeans rústico voltou para o centro das tendências. Camisas bordadas e coletes ganharam vida nova na estética street.

O look country feminino é o que marca esta nova era: uma estética versátil, confortável, estilosa e com muita personalidade. Ela não é mais caricata; é sofisticada. É cool. É real.
Yellowstone: a série que reacendeu a paixão pelo western no mundo todo
Quando a série Yellowstone estreou, poucos imaginavam que ela mudaria o panorama cultural global. A produção, estrelada por Kevin Costner, mergulha na vida moderna de uma família que administra um enorme rancho em Montana.

A verdade é que Yellowstone não virou febre à toa. A série não é só sobre chapéu, cavalo e fazenda bonita — ela mergulha em política, disputas de terras, conflitos familiares gigantescos, rivalidades, traições e toda aquela tensão que prende a gente do início ao fim. É como se juntassem drama, faroeste moderno e novela de família poderosa… tudo ambientado em paisagens de tirar o fôlego.
Resultado: o mundo inteiro voltou a prestar atenção no western. Marcas, stylists, celebridades e consumidores embarcaram nessa vibe. O que era nicho virou tendência global, e a estética country voltou a ocupar o topo da cultura pop com força total.

No fim das contas, a vida na cidade tem seu charme — praticidade, movimento, possibilidades infinitas. Mas, quanto mais eu penso em tudo isso, mais percebo como existe uma parte em nós vai buscar o contrário: silêncio, céu aberto, cheiro de mato depois da chuva, tempo mais lento. A verdade é que, no fundo, todo brasileiro carrega um desejo meio escondido de paz e calmaria… aquele sentimento que só um tempinho no interior consegue dar.
E, no fundo, tudo isso nos faz repensar nossos valores. A sair um pouco do piloto automático, daquela rotina que nos engole, e olhar a vida com mais intenção. Às vezes, basta pisar numa estrada de terra, ver um pôr do sol sem pressa ou ouvir um violão ecoando no fim da tarde para a gente lembrar que existe um jeito diferente — e muito mais leve — de viver.
No final, o look country feminino não é só estética: é um convite para respirar, pra sentir, para reconectar com o lado simples da vida. É ver o mundo com outro olhar… e, quem sabe, voltar a olhar para gente também.






